segunda-feira, 14 de junho de 2010

Bumbum, anca, nádegas, região glútea. Com que termo afinal denominar a bunda? Uma rápida consulta aos dicionários pode se tornar seara farta nesse sentido, embora bunda pareça ser mesmo o termo mais apropriado. Além de simples, sonoro e popular, representa bem o conjunto; incluindo - com todo respeito e sem trocadilhos, claro - o tão discriminado cu. Isso mesmo, o sonoro termo monossilábico que a gente pronuncia de modo labial enrugadinho e que os mais castos preferem chamar de ânus.


Por falar nele, o leitor menos preconceituoso haverá de concordar comigo, seja soltando um riso contido ou gargalhando frouxamente. Cu também parece ser mais apropriado que ânus. Além de sonora, simples e muito comum, a pronúncia do termo nos leva a imitar a forma do dito cujo, como se a comunicação no caso se desse também pelo modo gestual. Mas voltemos ao bunda do tema central em questão.

Em várias situações o termo se torna composto, com função adjetivada, ganhando outros sentidos. Bunda de tanajura, por exemplo, aplica-se àquelas avolumadas, vantajosas, protuberantes, grandes mesmo. De tico-tico significa bunda alta, arrebitada. E por aí vai.

Outro termo bastante conhecido é o bunda-suja, que significa pessoa sem importância, pobre, sem poder, ignorante. É o mesmo que joão-ninguém. Bunda-suja geralmente serve para apelidar quem não tira a bunda do lugar, ou melhor, que é preguiçoso, pessimista. Este geralmente acha que só uns e outros felizardos nascem de bunda (ou cu mesmo) pra lua e têm muita sorte na vida. Mas isso já é outro papo.

Desnecessário lembrar que o termo deriva muitos outros, como bundada, bundaça, bundona, bundudo, bundão. Este último, aliás, é muito usado para xingar sujeito desanimado, fraco ou bunda-mole, termo que deveria estar no parágrafo anterior e não neste aqui. Vale ressaltar que bundona, além de significar bunda grande, serve para qualificar mulher com as qualidades de bundão, pessoa tola ou retrógrada.

Nessa peleja hilária de pesquisar sobre a palavra, podemos também encontrar termos parecidos. Numa rápida busca achei pelo menos dois. Um é bundra, que significa barriga ou pança. Outro é bundo, que não é o macho da bunda - bunda não tem sexo. Bundo é a designação genérica de negro ou de qualquer língua de povos negros ou negróides africanos, segundo o Houaiss. Isso, convenhamos, cheira a sacanagem de marca maior. Quanto preconceito com a gente de cor, gente!

Por falar em cor, vai ver que a origem do nome tem relação com a cor do próprio ânus, bem mais “concentrada” que a cor da bunda ou das nádegas ou do que você preferir. E, por favor, nem me peçam pra “filosofar” sobre cheiros. Sabe-se que certas coisas têm odor característico, mesmo nos mais asseados. Sabe-se também que uns tendem a suar mais que outros e, consequentemente... êpa!

Acho melhor encerrar por aqui. Não tarda e vão querer me processar por essa abordagem infeliz. Tá assim de gente besta, racista e preconceituosa por aí (preta, branca, mestiça...) querendo polemizar. E eu não pretendo pelejar com ninguém. Prefiro tirar o meu da reta e bundear por aí.

O quê? Você não conhecia o bundear? Ora. É o mesmo que vagabundear, vagabundar ou bater perna. Entendeu? Ah, temos também o bundá, bem acentuado no final, que quer dizer a mesma coisa que embrulho, trouxa. Mas isso também já é outro papo.


Vou finalizar, senão vão dizer que estou embrulhando, enrolando, com prosa fiada, fazendo o leitor de trouxa. Francamente. Não sou disso.

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OBS 1 - O texto foi publicado em 02/02/2007 no blog LOROTA BOA e rendeu comentários engraçados.

OBS 2 - Claro que não vou revelar o autor da foto. Nem a dona da bunda.

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